Fanatismo

LOGO3Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver. 
Não és sequer razão do meu viver 
Pois que tu és já toda a minha vida! 
Não vejo nada assim enlouquecida… 
Passo no mundo, meu Amor, a ler 
No mist'rioso livro do teu ser 
A mesma história tantas vezes lida!… 
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa… 
Quando me dizem isto, toda a graça 
Duma boca divina fala em mim! 
E, olhos postos em ti, digo de rastros: 
"Ah! podem voar mundos, morrer astros, 
Que tu és como Deus: princípio e fim!…" 

Florbela Espanca, "Livro de Sóror Saudade"

A Morte que Trazemos no Coração

 

É no coração que morremos. É aí que a morte habita. Nem sempre nos damos conta que a carregamos connosco, mas, desde que somos vida, ela segue-nos de perto. Enquanto não somos tomados pela nossa, vamos assistindo e sentindo, em ritmo crescente ao longo da vida, às mortes de quem nos é querido. A morte de um amigo é como uma amputação: perdemos uma parte de nós; uma fonte de amor; alguém que dava sentido à nossa existência… porque despertava o amor em nós. Mas não há sabedoria alguma, cultura ou religião, que não parta do princípio de que a realidade é composta por dois mundos: um, a que temos acesso direto e, outro, que não passa pelos sentidos, a ele se chega através do coração. Contudo, o visível e o invisível misturam-se de forma misteriosa, ao ponto de se confundirem e, como alguns chegam a compreender, não serem já dois mundos, mas um só. 

O Desejo de ser diferente

animal-and-friends_65784O desejo de se ser diferente daquilo que se é, é a maior tragédia com que o destino pode castigar o homem. O desejo de ser outro, diferente daquilo que somos: não pode arder um desejo mais doloroso no coração humano. Porque não é possível suportar a vida de outra maneira, apenas sabendo que nos conformamos com aquilo que significamos para nós próprios e para o mundo. Temos de nos conformar com aquilo que somos e de ter consciência, quando nos conformamos, de que em troca dessa sabedoria, não recebemos elogios da vida, não nos põem no peito nenhuma condecoração por sabermos e aceitarmos que somos vaidosos ou egoístas, carecas e barrigudos – não, temos de saber que por nada disso recebemos recompensas, nem louvores. Temos de suportar, o segredo é isso. Temos de suportar o nosso caráter, o nosso temperamento, já que os seus defeitos, egoísmos e avidez, não os mudam nem a experiência, nem a compreensão. Temos de suportar que os nossos desejos não tenham plena repercussão no mundo. Temos de suportar que as pessoas que amamos, não nos amem, ou que não nos amem como gostaríamos. Temos de suportar a traição e a infidelidade, e o que é mais difícil entre todas as tarefas humanas, temos de suportar a superioridade moral ou intelectual de uma outra pessoa.

Autor: Sándor Márai, As Velas Ardem Até ao Fim

A decepção acaba com as projeções idealizadas!

Acontece quando julgamos que investimos muito tempo e afeto e principalmente verdade no "objeto" escolhido(pessoa, idéia).

Quando esse objeto, não se comporta conforme a nossa idealização, sentimos que "plantamos flores e colhemos espinhos" que semeamos o bem e colhemos o mal. Geralmente nutrimos grande afeto pelo "objeto". Não nos decepcionamos com "objetos "distantes, no máximo ficamos tristes, chocados, nunca decepcionados.

Após  o devido tempo, claro se tudo ocorrer bem…tristeza, raiva e mágoa são elaborados e ressignificados. Sentimos uma espécie de epifania, um momento  luminoso onde canais de percepção  são abertos então, a "Mágica" acontece,  percebemos que estamos livres de qualquer responsabildade  e completamente desapegados do objeto que causou dor. Uma compreesão sobre nós mesmos  e o mundo  se torna   possível.  Nos sentimos livres dos conceitos idealizados que julgamos reais.  

_ Quando não esperamos nada, não geramos espectativas; se assim fizermos jamais nos  frustraremos com coisa alguma …

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Processo de individuação

 

 

 

individuaçãoIndividuação – Processo através do qual tornamo-nos unos, unicidade interna profunda; este processo se daria quando o "Ser"   já  tendo vivido boa parte da sua jornada existencial externa se confrontaria com conteúdos internos que o levariam a buscar o seu si-mesmo, o seu "eu"sagrado. 

"Como o indivíduo não é apenas um ser à parte, separado, mas pressupõe, pela sua própria existência, uma relação coletiva, segue-se que o processo de individuação deve conduzir a relações coletivas mais amplas, e não ao isolamento" (C.G. Jung, "Definitions", CW6, 

 

Diferentes Caminhos para uma Felicidade Sempre Insuficiente

 

 

 

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O objetivo para o qual o princípio do prazer nos impele — o de nos tornarmos felizes — não é atingível; contudo, não podemos — ou melhor, não temos o direito — de desistir do esforço da sua realização de uma maneira ou de outra.

 

Caminhos muito diferentes podem ser seguidos para isso; alguns dedicam-se ao aspecto positivo do objetivo, o atingir do prazer; outros o negativo, o evitar da dor. Por nenhum destes caminhos conseguimos atingir tudo o que desejamos. Naquele sentido modificado em que vimos que era atingível, a felicidade é um problema de gestão da libido em cada indivíduo. Não há uma receita soberana nesta matéria que sirva para todos; cada um deve descobrir por si qual o método através do qual poderá alcançar a felicidade. Toda a espécie de fatores irá influenciar a sua escolha. Depende da quantidade de satisfação real que ele irá encontrar no mundo externo, e até onde acha necessário tornar-se independente dele. Por fim, na confiança que tem em si próprio do seu poder de modificar conforme os seus desejos. Mesmo nesta fase, a constituição mental do indivíduo tem um papel decisivo, para além de quaisquer considerações externas. O homem que é predominantemente erótico irá escolher em primeiro lugar relações emocionais com os outros; o tipo narcisista, que é mais auto-suficiente, procurará a sua satisfação essencial no trabalho interior da sua alma; o homem de ação nunca abandonará o mundo externo no qual pode experimentar o seu poder. 

 

Referência:

Sigmund Freud,  A Civilização e os Seus Descontentamentos

 

Crise de pânico!

Olha só a letra O Que Será (à Flor da Pele) do Chico Buarque, talvez não toda a letra, mas boa parte descreve

Os sintomas comuns da crise de pânicoimages-9O que será que me dá

Que me bole por dentro, será que me dá

Que brota à flor da pele, será que me dá

E que me sobe às faces e me faz corar

E que me salta aos olhos a me atraiçoar

E que me aperta o peito e me faz confessar

O que não tem mais jeito de dissimular

E que nem é direito ninguém recusar

E que me faz mendigo, me faz suplicar

O que não tem medida, nem nunca terá

O que não tem remédio, nem nunca terá

O que não tem receita

O que será que será

Que dá dentro da gente e que não devia

Que desacata a gente, que é revelia

Que é feito uma aguardente que não sacia

Que é feito estar doente de uma folia

Que nem dez mandamentos vão conciliar

Nem todos os ungüentos vão aliviar

Nem todos os quebrantos, toda alquimia

E nem todos os santos, será que será

O que não tem descanso, nem nunca terá

O que não tem cansaço, nem nunca terá

O que não tem limite
O que será que me dá

Que me queima por dentro, será que será

Que me perturba o sono, será que me dá

Que todos os tremores me vêm agitar

Que todos os ardores me vem atiçar

Que todos os suores me vêm encharcar

E todos os meus nervos estão a rogar

E todos os meus órgãos estão a clamar

E uma aflição medonha me faz implorar

O que não tem vergonha, nem nunca terá

O que não tem governo, nem nunca terá

O que não tem juízo

 Sintomas Físicos Comuns:
1- Taquicardia (aumento da freqüência cardíaca – percebida como batedeira no peito);
2- Sudorese intensa;
3- Aperto no peito (que às vezes pode ser bastante doloroso);
4- Formigamento nas mãos (geralmente dos dois lado, podendo acometer também os pés e os lábios)- Sintomas Psíquicos Comuns:
1- Desespero
2- Sensação de Morte Iminente
3- Angústia
4- Vontade de sair correndo 
A crise de pânico pode simular um ataque cardíaco, uma convulsão ou mesmo um AVC.  Para ajudar o paciente é fundamental manter a calma, senta-lo e pedir que respire profunda e lentamente. A respiração lenta e profunda alivia os sintomas.  Retire o paciente da situação que provocou o início dos sintomas e procure atendimento médico.

Narcisismo

O narcisismo é uma orientação narcísica na qual todo interesse e paixão são dirigidos à própria pessoa; ao seu corpo, mente, sentimentos, interesses etc. Na verdade, como Narciso, a pessoa narcisista pode-se dizer que estâ apaixonada por si própria, se é que esse enfatuamento pode ser chamado de amor. Para o narcisista somente ele e o que lhe diz respeito são totalmente reais, o que está fora dele, o que diz respeito a outros é real somente no senso superficial de percepção, o que equivale dizer que é real só para o senso do intelecto do narcisista. Mas, não é real no sentido mais profundo do nosso sentimento ou compreensão. Na realidade, ele esta ciente das coias externas somente quando elas o afetam. Consequentemente não existe amor, nem compaixão, não é racional, não tem discernimento objetivo. A pessoa extremamente narcisista constrói um muro invisível ao redor de si, ele é tudo, o mundo não é nada ou, mais ainda: ele é o mundo.
_Erich Fromm, do ter ao sernarciso,+Museu+do+Prado+cossiers

liberdade

janela

Há quem tenha "tudo" segundo a visão externa(observador),mas que de fato não possui nada porque a sua liberdade é limitada…muitas vezes ficamos presos em uma gaiola que entramos de boa vontade construída com nosssas mãos. Marilda Limberger

A Prisão Dourada
Tenta fazer esta experiência, construindo um palácio. Equipa-o com mármore, quadros, ouro, pássaros do paraíso, jardins suspensos, todo o tipo de coisas… e entra lá para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair daí. Talvez, de fato, nunca mais saisses de lá. Está lá tudo! "Estou muito bem aqui sozinho!". Mas, de repente – uma ninharia! O teu castelo é rodeado por muros, e é-te dito: 'Tudo isto é teu! Desfruta-o! Apenas não podes sair daqui!". Então, acredita-me, nesse mesmo instante quererás deixar esse teu paraíso e pular por cima do muro. Mais! Tudo esse luxo, toda essa plenitude, aumentará o teu sofrimento. Sentir-te-ás insultado como resultado de todo esse luxo… Sim, apenas uma coisa te falta… um pouco de liberdade.
__ Fiodor Dostoievski,"O Movimento de Liberação"